O uso de medicamentos por idosos: um problema de saúde pública

José Carlos Campos Velho

As pessoas idosas foram criadas, em sua maioria, na primeira metade do século XX, onde dispunha-se de um muito poucos recursos farmacológicos para tratamento do sofrimento físico e mental. A enorme variedade de medicamentos hoje existentes para as mais diversas condições clínicas criou uma fantasia de que existem medicamentos para tudo, para quaisquer sofrimentos físicos, psíquicos ou espirituais. Este pensamento gerou nas pessoas a ideia de que qualquer sintoma pode ser tratado com medicamentos.

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Sistema nervoso 

Quando falamos de medicamentos que agem no sistema nervoso central, a questão se torna ainda mais séria. O uso abusivo de sedativos, tranquilizantes, antidepressivos vem se tornando a tônica de uma sociedade que não tolera as dificuldades psíquicas, cuja origem frequentemente está vinculada a questões de origem existencial, mais do que referentes à doença mental. A pessoa idosa que faz uso de medicamentos com ação psicotrópica está mais sujeita a quedas e fraturas, a dificuldades de memória e à dependência.

Dependências 

Falando-se de dependência, devemos também lembrar que o álcool é uma poderosa droga psicoativa e as consequências de seu abuso podem ser ainda mais graves com o envelhecimento. E podemos até comentar que existe um fenômeno pouco estudado que é o abuso de drogas ilícitas por pessoas idosas, que muitas vezes fazem uso destas substâncias há décadas e chegam à velhice numa situação de dependência. O fato costuma ser agravado pela existência de outras comorbidades físicas e psíquicas e, muitas vezes, é pouco comentado ou abordado pelos próprios profissionais de saúde. 

Hábitos e atitudes 

Mudanças de hábitos e atitudes, um olhar diversificado para a etiologia do sofrimento humano, a utilização de abordagens multiprofissionais, com diferentes perspectivas terapêuticas... Essas possibilidade, às vezes, podem representar propostas mais adequadas para o sofrimento do que especificamente o uso de medicamentos. Não é demasiado lembrar que, em particular em pessoas idosas, o uso de medicamentos se acompanha, com maior frequência, de reações adversas e interações medicamentosas. O uso de vários medicamentos – a polifarmácia – deve ser evitado sempre que possível. Quando, a cada sintoma, acrescentamos um novo medicamento, estamos contribuindo para as ações deletérias da polifarmácia na prescrição do idoso.

Assistência multiprofissional

A assistência à saúde do idoso é, eminentemente, multiprofissional. E devemos ser mais generosos ao oferecer-lhes técnicas diversas como psicoterapia, fisioterapia ou fonoaudiologia. Sem esquecer que a convivência com a família e em grupos comunitários podem fazer uma grande diferença no bem estar e na qualidade de vida do idoso. 

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